Oscar Wilde Para Inquietos – Allan Percy

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Seguindo o mesmo esquema de Kafka para Sobrecarregados, o livro apresenta frases de Oscar Wilde (1854- 1900), autor do romance O Retrato de Dorian Grey.

Camera 012Novamente, o autor mescla os ensinamentos de Wilde com provérbios, citações de outros autores, pensamentos filosóficos ensinamentos orientais, etc. Alguns provérbios, inicialmente abstratos demais, ganham uma interpretação muito inesperada, mas todos ficam muito claros para o leitor. Assuntos como amor, dinheiro, amizade, convívio social e a própria vida em si são abordados de modo a facilitar o entendimento do leitor, sem perder sua profundidade. Uma coisa que somente agora reparei: ao final do livro, Allan Percy faz algumas indicações, não só da obra da personalidade em questão, quanto de outros escritores, a maioria deles usados como argumento para as frases explicadas.

No post sobre Kafka, eu acabei colocando um dos aforismos e olhando Camera 006agora o resultado não ficou muito bom, então comecei a tirar fotos das frases iniciais de alguns capítulos. (Não reparem a qualidade, sou péssima com uma câmera fotográfica nas mãos).

Uma coisa que identifiquei em Wilde é que ele sempre foi muito autêntico, suas ações não eram baseadas em nenhum modelo pré-determinado pela sociedade ou por outras pessoas, ele era o que era (e afinal de contas isso é a única coisa que alguém pode ser). Escritor, poeta, dramaturgo, crítico de seu tempo e de sua sociedade, amante dos prazeres da vida e sensível à beleza tanto exterior quanto interior.

Camera 017Kafka era, muitas vezes, pessimista (também pudera, ele foi reprimido em vários aspectos e em vários momentos de sua vida). Wilde por sua vez era bem… Eu diria leve, profundo em seus pensamentos, coerente em suas ações (pelo menos nas fontes em que consultei). Ele nos convida a viver a vida com se ela fosse uma obra de arte: mesclando mundo dos sonhos com a realidade, imaginação e ação, sentidos e mente.

Mais um livro que não me arrependo de ter adquirido.

Momento curiosidade: após concluir seus estudos na universidade, e de ter voltado para junto de sua família, Oscar se apaixonou loucamente por uma jovem… Que o trocou por Bram Stoker, autor de Drácula. (eita mundo pequeno).

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O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha – Miguel de Cervantes

Camera 243Do original El ingenioso hidalgo Don Qvixote de La Mancha, teve sua primeira edição publicada em 1605 em Madrid. Na obra, Cervantes satiriza as novelas de cavalaria e seus misticismos e códigos de conduta medieval, ideais ultrapassados pelas concepções renascentistas. A segunda parte foi publicada em 1615.

Pagina de rosto da 1ª ed

Pagina de rosto da 1ª edição de D.Quixote (1605)

D. Quixote, de tão apaixonado pelas novelas de cavalarias, busca viver as histórias de suas leituras. Em seus devaneios, transforma moinhos de vento em gigantes, rebanhos em exércitos e cortesãs em donzelas. Ao mesmo tempo, ele revela grande sabedoria em seus momentos de lucidez.

Por que comprei os livros? Dois motivos:

  • Desde 2009, tenho me interessado mais pelos clássicos, os marcos que cada período literário, apogeu, destaques, estilos (e realidades) de diferentes países, etc.
  • Coleção Clássicos, da Abril Coleções : 30 obras impressas com capa dura em tecido e páginas em papel nobre, vendidos originalmente a R$14,90 cada um. Coleciono desde 2010, ano de lançamento, atualmente a coleção é encontrada em sebos, ou em algumas livrarias se você der sorte. Se você for mais sortudo ainda é capaz de achar os exemplares a R$9,90 cada.
Gravura de  Gustave Doré 03

Gravura de Gustave Doré

Confesso que me identifiquei um pouco com D. Quixote, se colocar nas histórias lidas, criar seu próprio mundo e ali se refugiar, eu faço muito isso, principalmente antes de dormir, é quase um pré-sonho (isso existe?). Também busco esse escape quando estou com muita raiva (personagens fictícios são ótimos sacos de pancadas). Aproximo-me igualmente de Sancho Pança, escudeiro de D. Quixote: pé no chão, realista, pessoa simples, que tenta trazer o sonhador de volta ao que está ao seu redor, é o sonho que acaba e voltamos à realidade que nos cerca.

A segunda parte, terminada em 27 de Junho, foi mais fácil de ler que a primeira, não só por já ter me acostumado com o estilo de escrita de Cervantes, mas também por contar histórias que não se limitam à D. Quixote, como o conto entre Camila, Anselmo e Lotário (gostei muito por sinal).

Sancho Pança ouve Don Quixote. Estatuas de bronze em frente à casa onde nasceu Cervantes.

Sancho Pança ouve Don Quixote. Estátuas de bronze em frente à casa onde nasceu Cervantes.

A entrada de novos personagens tornou a leitura mais dinâmica, diferente da primeira parte, que era mais arrastada. É uma leitura bem prazerosa, do tipo que te prende sem que bata aquela vontade de devorar páginas e mais páginas em uma tacada só, a minha dose certa foram 6 a 7 paginas por vez.

Considerado por muitos o expoente máximo da literatura espanhola, eleito maio de 2002, como a melhor obra de ficção de todos os tempos. Particularmente, acho que essa é uma ótima aquisição, agrada a gostos diferentes e até a todos os bolsos (já achei edições que vão desde R$22,00 cada volume até edições de luxo de mais de R$120 o volume único).

Semana 2 – O Melhor Livro que Você já Leu.

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Ixi… Agora me complicou.

Acho que não tenho um livro que eu diga: “Esse é o melhor de todos!”. A maioria dos que eu li me prenderam por aspectos diferentes, seja a narrativa, a história, o universo, os personagens, a proposta… E cada item tem um livro que se destaca.

Vou ficar com Clube dos Anjos, de Luis Fernando Veríssimo (acho que foi o que reuniu mais características).

Escrito em 1998, o livro fez parte da coleção Plenos Pecados, e se refere ao pecado da Gula.

O livro conta a história de dez homens que se reúnem há 21 anos, para o simples prazer de comer entre amigos. Tudo começa com uma pequena reunião no “Alberi” e depois passam a frequentar lugares de melhor qualidade tanto em ambiente quanto na comida. Quem conta toda a história é Daniel, que cita os dez amigos que fazem parte do “Clube do Picadinho”. Ao conhecer Lucidio, um rapaz misterioso que cozinha muito bem, Daniel resolve fazer um jantar como nos velhos tempos, afinal, depois da morte do líder dos integrantes, Ramos, o clube nunca mais foi o mesmo.

A história é bem simples na verdade, mas foi contada de uma maneira muito cativante e os personagens foram bem construídos. A cada reunião do clube você fica com água na boca com a descrição dos pratos (juro que deu até pra sentir o cheiro de um deles).

Eu devo ter lido esse livro umas três vezes, e em nenhuma vez deixei de sentir apreensão pelo que estava por vir. Acho que posso dizer que é o meu livro favorito.

Obs.: Nenhum dos blogs convidados se juntou ao desafio (por enquanto, espero).

O Vampiro Lestat – Anne Rice

#23O Vampiro Lestat

Terceiro dos 31 livros da pilha de metas de leitura.

Após os eventos narrados por Luis, Lestat conhece sua “segunda morte”, um espaço de tempo em que o vampiro fica inanimado, alheio a tudo e a todos dentro de seu esquife.

Ao acordar, percebe que o mundo esta completamente diferente do que conhecia: na segunda metade do século XX as pessoas estão se tornando céticas em relação aos valores religiosos, a ciência e a tecnologia estão cada vez mais avançadas, e as histórias sobre os seres da noite (inclusive o Entrevista com Vampiro) possuem a mesma influência que conhecemos.

No post sobre a crônica anterior, cheguei a dizer que parecia que Luis falava diretamente em meus ouvidos, pois bem:

“E quando a noite estava tranquila e serena, ouvia as vozes de Entrevista com Vampiro, como se viessem do túmulo.” (p.18).

Lestat conta sua história assim como Luis contou a dele, suas lembranças da vida humana, em 1760, seu nascimento como vampiro, seu contato com Armand, Marius e Akasha, um breve relato sobre a história contada por seu filho Luis, entre outros fatos menores. A narração dele, no entanto, é menos densa de se ler, menos pesada e melancólica do que a de seu descendente.

Mas ele não quer mais viver no silêncio, ele quer mostrar ao mundo sua real existência, e para tal, transforma-se em um mega astro do rock. Em suas letras, ele canta sobre suas caças, sobre os chamados Filhos da noite e do Milênio, sobre Aqueles que Devem Ser Conservados e sobre outros segredos dos seres imortais.

A publicação original dessa crônica foi em 1985, sendo publicada no Brasil pela Rocco em 1999.

Em 2002, foi produzido A Rainha dos Condenados, um ótimo filme sobre o qual falarei depois que LER a próxima crônica. O que posso dizer agora, é que ele mostra um pouco e de forma (de certa maneira compreensível, já que ele não era o foco) mal adaptada a história de Lestat, MAS, no longa ele é interpretado por Stuart Townsend (o Dorian Gray de A Liga Extraordinária) e ele ficou MUITO melhor do que Tom Cruise, menos forçado, sei lá.

Apesar de ter lido em um ritmo consideravelmente rápido (comecei a ler dia 28 do mês passado), se eu continuar a ler um livro por mês, não voltarei a comprar-los tão cedo, por isso pegarei volumes menores, ainda mais por não ter o quarto livro da serie. Fora que é bom mudar de assunto as vezes né?